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Land Art: história e reflexão sobre a arte contemporânea belarussa e brasileira


Por Tatsiana Virkouskaya, European Humanities University

Tradução: Nastya Golets

Tatsiana Virkovskaya é natural de Belarus e mora em Minsk. Formada em Engenharia Elétrica, um dia fez um curso online de história da arte. Depois disso, aos poucos, sua vida começou a se afastar da área de tecnologia. Passou a acompanhar festivais locais de arte urbana, como o Vulica Brasil, e a escrever pequenos artigos sobre os murais que apareciam em Minsk em sua página de rede social. Atualmente estuda na European Humanities University (EHU) no programa de bacharelado em Mídia e Comunicação. Tatsiana continua interessada em arte contemporânea. Em 2021, redigiu um trabalho de de curso no qual explorou as práticas artísticas do modernismo e os motivos que levaram ao surgimento da figura do curador no mercado de arte em meados do século XX.
 
Que imagens vêm à mente quando ouvimos a palavra "arte"? Em primeiro lugar, são peças localizadas em museus ou galerias, no interior das instituições de arte, escolhidas por especialistas para sua exposição. Existem alguns exemplos de arte a céu aberto: esculturas e estátuas. Essas estão fora das instituições, porém fixadas em um local específico e geralmente vigiadas, o que também indica que tais peças têm valor artístico. O valor artístico é medido em dinheiro. Esse foi um dos aspectos que levou os artistas a repensar o termo “arte” no século XX.

Vários conflitos começaram a ocorrer no mundo a partir de meados do século XX: a guerra no Vietnã, o movimento pelos direitos dos afro-americanos nos Estados Unidos e a segunda onda do feminismo.

Os artistas buscavam outras ferramentas, outras formas, outras práticas. Com a ajuda dessas, tentaram resistir à comercialização da arte, bem como sair do espaço do museu e da galeria. Uma das direções artísticas que surgiram durante essas buscas foi a Land Art.

A Land Art nasceu como um movimento artístico independente no final dos anos 1960. Os artistas do movimento trabalham com paisagem e materiais naturais. Ao contrário dos arquitetos e escultores que também “incorporam” suas obras ao ambiente natural, para os artistas da Land Art, a natureza não é um pano de fundo, mas uma amiga com quem eles colaboram para obter o resultado pretendido.



As lendas da Land Art


Robert Smithson (1938 1973, Estados Unidos)


Robert Smithson, artista estadunidense, foi o primeiro a expressar suas reflexões sobre a conexão entre arte e paisagem no ensaio A Sedimentation of the Mind: Earth Projects ("Sedimentação da Mente: Projetos na Terra" — N. trad.). No ensaio, Smithson chamou suas obras de earthworks, porque o termo Land Art ainda não estava em uso. O ensaio foi publicado na revista Artforum em 1968. Robert expressou os seguintes pensamentos nele:


1. O conceito de Sites e Non-Sites.


Sites são as obras que se inserem na paisagem e se conectam organicamente com ela. Non-Sites são uma composição de pedras, areia ou elementos de outros materiais naturais. São recolhidos em um determinado local e expostos no museu juntamente com um mapa e fotografias do território de onde o artista os tirou.

"Desenvolvi o conceito de Non-Site, que fisicamente contém uma parte do Site. <…> É uma perspectiva tridimensional que se separou do todo e não tem conteúdo próprio. Não há mistérios nesses restos, nem vestígios de fim ou começo".


2. A arte deve refletir questões contemporâneas.


A arte não deve apenas embelezar, mas também chamar a atenção para os problemas econômicos, ambientais e outros desafios da contemporaneidade. Portanto, os melhores lugares para a criação de Land Art são "locais degradados pela indústria, urbanização imprudente ou devastação da própria natureza".


3. Os objetos da Land Art começam a deteriorar-se desde o momento de sua criação.


"Quando uma coisa é vista através da consciência da temporalidade, ela se transforma em algo que não é nada. Esse sentido envolvente fornece o terreno mental para o objeto, de modo que ele deixa de ser um mero objeto e se torna arte".

A peça de arte mais famosa de Smithson é o Spiral Jetty ("Plataforma Espiral" — N. trad.) que ilustra o conceito de Site. Spiral Jetty foi feito em 1970 e está localizado no Great Salt Lake, no estado de Utah, Estados Unidos.
Robert Smithson, Spiral Jetty (“Plataforma Espiral” - N. trad.), Estados Unidos. O comprimento da plataforma é de 450 m, a largura é de 4,5 m, a distância máxima da costa é de 170 m. Quase 7 mil toneladas de pedras de basalto foram necessárias para sua construção. Photo: CC BY 2.0 by Water Alternatives Photos, 2020

A água do lago possui uma tonalidade vermelha devido a bactérias e algas que se desenvolvem em água salgada. A plataforma foi construída a partir de grandes blocos de basalto negro e parece uma vereda que entra no espelho d’água, formando uma espiral sobre ele. Quando a peça foi construída pela primeira vez, a vereda era negra e a água em volta parecia vermelho-sangue. Com o tempo, uma camada branca de sal apareceu nas pedras negras, e a água ao redor adquiriu uma coloração rosa.

Robert Smithson, Spiral Jetty, Estados Unidos. Photo: CC BY 2.0 by David O. Stevens, 2007

Robert Smithson, Spiral Jetty, Estados Unidos. Photo: CC BY-NC 2.0 by Michelle Roach, 2008

No ano em que a plataforma foi construída, o nível d’água no lago estava baixo, mas dois anos depois ele subiu e a peça de arte desapareceu debaixo d'água. Nos 30 anos seguintes, a plataforma aparecia raramente. Desde 2002, o Spiral Jetty tem permanecido acima do nível d’água e pode ser visitado.

Robert Smithson, Spiral Jetty, Estados Unidos. Photo: CC BY-NC 2.0 by DennyMont, 2007

As obras de arte Non-Site são instalações que Robert Smithson expunha no museu. Um exemplo é a peça Non-Site #1 (obra de Land Art para interiores), feita de contêineres de metal cheios de terra, areia ou pedras. Ao lado dos contêineres, havia um mapa e fotos do local de onde a terra tinha sido retirada. O local era um aeródromo em forma de hexágono em Nova Jersey, Estados Unidos. Seis pistas divergiam de seu centro em diferentes direções. O artista dividiu toda a área do aeródromo em 31 setores. Depois, ele coletou a terra em todos os setores e a colocou em contêineres de metal.

Robert Smithson, Non-Site #1 (obra de Land Art para interiores). Photo: CC BY-NC 2.0 by Rob Corder, 2017


"O Non-Site é composto de 31 contêineres de alumínio pintado de azul, cada um contendo areia do local em que essa foi retirada".

A ligação entre o Site e o Non-Site foi estabelecida com a ajuda de fotografias e mapas, expostos ao lado dos contêineres.


Alan Sonfist (1946, Estados Unidos)


Em 1965, o artista iniciou o projeto Time Landscape ("Paisagem do Tempo" — N. trad.), que durou 10 anos. Durante esse período, Alan reflorestou uma área de 7m x 12m no centro de Manhattan com árvores nativas do período pré-colonial.

Alan Sonfist, ("Paisagem do Tempo" — N. trad.), Nova York, EUA. Photo: CC BY-SA 3.0 by Asonfist, via Wikimedia Commons, 1965
Alan Sonfist, ("Paisagem do Tempo" — N. trad.), Nova York, EUA. Photo: CC BY-NC-ND 2.0 by Wally Gobetz, 2007






Walter de Maria (1935 — 2013, Estados Unidos)


Em 1968, o artista criou o projeto The New York Earth Room ("A Sala da Terra de Nova York" — N. trad.) que pode ser visitado até hoje. A obra está localizada em Nova York em 141 Wooster Street. Este é um dos endereços da organização Dia Art Foundation, que preserva as obras de artistas de meados do século XX. A instalação ocupa uma sala de 335 m2. No chão, há uma camada de terra úmida de 56 cm de altura. A instalação pode ser apreciada pela porta aberta. O cheiro da terra evoca memórias pessoais. A entrada é gratuita.

Walter de Maria, The New York Earth Room ("A Sala da Terra de Nova York" — N. trad.), Nova York. Photo: CC BY-NC-SA 2.0 by trevor.patt, 2013

Walter de Maria, The New York Earth Room (“A Sala da Terra de Nova York” - N. trad.), Nova York.

Outra obra do artista é The Lightning Field ("O Campo de Relâmpagos" — N. trad.), criada em 1977 e localizada no estado de Novo México, EUA. A peça é feita de 400 postes metálicos e tem uma altura de 6 m. Os postes são colocados em uma área de 1 km x 1,61 km. Durante uma tempestade, este campo deve pegar um raio, mas isso raramente acontece. O projeto funciona até hoje, mas só é possível conhecê-lo reservando um quarto para pernoitar em um prédio ao lado do campo. Além disso, os visitantes não podem tirar fotos.

Walter de Maria, The Lightning Field ("O Campo de Relâmpagos" — N. trad.), New Mexico, Estados Unidos.



Richard Long (1945, Inglaterra)


O artista criou A Line Made by Walking ("A Linha Feita de Pisadas" — N. trad.) em 1967, quando era estudante. Ele percorreu várias vezes o mesmo caminho em um prado de capim. O resultado foi uma suave vereda de grama pisoteada. Richard tirou uma foto do caminho e a exibiu como um objeto. Na época, foi um trabalho inovador, pois refletia a ideia de que a arte também poderia ser feita com os pés e simples passos.

Richard Long, A Line Made by Walking ("A Linha Feita de Pisadas" — N. trad.), Inglaterra.



Nancy Holt (1938 — 2014, Estados Unidos)


O objeto Sun Tunnels (“Túneis do Sol” - N. trad.) está localizado no deserto de Utah, Estados Unidos. São quatro túneis de concreto com 5,5 m de comprimento e 2,7 m de diâmetro. Os túneis são dispostos em forma de "X" e são direcionados para os pontos de nascer e pôr do sol durante o solstício de verão e inverno.
Nancy Holt, Sun Tunnels (“Túneis do Sol” - N. trad.), EUA. Photo: CC BY 2.0 by Retis, 2015

Nancy Holt, Sun Tunnels (“Túneis do Sol” - N. trad.), EUA. Photo:CC BY 2.0 by Alison Jean Cole, 2019

Na parte superior dos túneis foram perfurados buracos de tal forma que, quando a luz do sol os atinge, os raios criam padrões de quatro constelações na superfície interna dos túneis: Dragão, Perseu, Pomba e Capricórnio. Nancy criou o objeto em 1976, mas hoje em dia ele ainda pode ser visitado.

Nancy Holt, Sun Tunnels (“Túneis do Sol” - N. trad.), EUA. Photo: CC BY 2.0 by Retis, 2015

Nancy Holt, Sun Tunnels (“Túneis do Sol” - N. trad.), EUA.



Agnes Denes (1931, Hungria)


Em 1982, a artista limpou um terreno de pedras e lixo. Nesse terreno de 100 m x 80 m, localizado em Manhattan, perto do World Trade Center, havia um lixão. Após a limpeza e preparação do terreno, foram trazidos 200 caminhões de terra ao campo para plantar trigo. Assim surgiu o projeto Wheatfield — A Confrontation ("O Campo de Trigo — Um Confronto" — N. trad.). Agnes cuidou do campo de trigo por quatro meses e no final da temporada colheu 455 kg de uma boa safra. O projeto chamou a atenção para as escolhas que fazemos na hora de alocar nossos recursos.
Agnes Denes, Wheatfield — A Confrontation ("O Campo de Trigo — Um Confronto" — N. trad.), EUA. Photo:CC BY-NC 2.0 by michael peng, 1982
 

Artistas de Land Art contemporâneos


Jim Denevan (1961, Estados Unidos)


O artista cria desenhos temporários na areia, terra e neve desde 2010. As enormes imagens consistem em círculos, espirais e outras linhas geométricas. É possível ver a imagem inteira apenas de uma certa altura. É interessante que Jim não faz esboços e não usa nenhum dispositivo de medição durante o trabalho, mas as figuras têm a mesma forma geométrica. Jim explica que isso se deve a inúmeras práticas. O artista trabalha em uma imagem por cerca de 7 horas, mas as imagens não duram muito, principalmente na praia, onde são arrastadas pela maré após algumas horas.







Jim Denevan


Andrew Rogers (1947, Austrália)


Andrew Rogers é um destacado escultor e artista de Land Art. O seu projeto mais famoso é o "Ritmos da Vida" iniciado em 1998. Consiste em enormes esculturas de pedra e geoglifos. Geoglifo é um padrão geométrico ou de figuras traçado no chão e geralmente superior a 4 m de comprimento. O "Ritmos da Vida" consiste em 51 objetos localizados em 16 países: Bolívia, Chile, China, Islândia, Índia, Israel, Quênia, Namíbia, Nepal, Eslováquia, Sri Lanka, Turquia, EUA, Antártida, Espanha e Austrália. Os objetos são tão grandes que podem ser vistos do espaço.

Andrew Rogers, geoglifo "The Gift" (“O Presente” - N. trad.), Turquia. O objeto foi concluído em 2007 e tem dimensões de 60 x 60 m. A imagem representa uma pintura rupestre de 6.000 anos. Photo: CC BY-NC-SA 4.0 by Sercan Küçükşahin/Anadolu Agency, via Middle East Monitor, 2018

Um geoglifo é repetido em 14 lugares. Pode ser encontrado em 14 dos países listados acima. O nome deste geoglifo corresponde ao nome do projeto, "Ritmos da Vida". A forma do geoglifo é a mesma em todos os lugares, mas em cada país tem sua própria forma de realização. O geoglifo retrata a jornada imprevisível da vida.

Andrew Rogers, geoglifos “Ritmos da Vida” e “Atlatl” (uma arma de arremesso), EUA. Os objetos foram concluídos em 2008. O tamanho total das imagens é de 50 x 50 m.

Nos primeiros dias do projeto, o artista transferia manualmente a imagem do mapa para o terreno e marcava os pontos desejados com o auxílio de uma fita métrica. Atualmente, os pontos de imagem são determinados usando GPS. Isso reduziu o processo de "desenho" do esboço no chão de sete para dois dias.

Andrew Rogers, geoglifo "Grind" (“Moagem” - N. trad.), Turquia. O objeto foi concluído em 2009 e mede 100 x 100 m. A imagem representa uma antiga pedra de moinho usada nesta área. Photo: CC BY-NC-SA 4.0 by Sercan Küçükşahin/Anadolu Agency, via Middle East Monitor, 2018

Andrew Rogers enfatiza que, apesar de cada objeto ser de grande escala, todos eles são apenas pontos no espaço. Não importa quão grandes sejam os esforços de uma pessoa, eles são apenas pequenos grãos na história mundial. Alguns geoglifos cobrem uma área de até 40.000 metros quadrados (cerca de quatro campos de futebol).


Andrew Rogers, estrutura de pedra "A Day on Earth" (“Um Dia na Terra - N. trad.), Turquia. O objeto foi concluído em 2009 e mede 31,5 m x 51 m x 19,5 m. Photo: CC BY-NC-SA 4.0 by Sercan Küçükşahin/Anadolu Agency, via Middle East Monitor, 2018

Michael Heizer (1944, Estados Unidos)


Michael Heizer trabalhou em seu objeto de Land Art City (“A Cidade” - N. trad.) por 50 anos, tendo começado em 1972. O objeto é um complexo de esculturas localizado em uma área desértica no estado de Nevada, EUA. As esculturas ocupam uma área de 2 km x 0,4 km e são feitas de pedras, areia e concreto. A mais alta delas atinge 24 m. Em 2022, o objeto foi aberto à visitação. É o maior objeto de arte contemporânea do planeta.

 

Land Art no Brasil


Nuno Ramos (1960, São Paulo, Brasil)


Nuno é uma pessoa de múltiplas linguagens. Suas conquistas na área da arte são apenas um lado de sua personalidade. Como escritor, tem vários livros publicados e recebeu o Prémio Literário Portugal Telecom em 2009. Como diretor de cinema, realizou uma série de curtas-metragens. O mar, as rochas, a terra e o tempo são partes integrantes das suas obras de land art.

Em 2000, o Brasil completou 500 anos do descobrimento. Este acontecimento histórico pode ser visto de diferentes maneiras. Em 1500, o País foi descoberto por navegadores portugueses, mas este evento levou à opressão e ao extermínio dos povos indígenas, trazendo consigo a colonização. Na véspera da data do descobrimento, o Instituto Itaú Cultural, uma instituição dedicada à preservação, pesquisa e divulgação de iniciativas artísticas, convidou alguns artistas para criar obras que pudessem ser instaladas nas fronteiras brasileiras.

Uma das obras foi a composição Minuano. Minuano é um vento frio que sopra no sul do Brasil de março a setembro. A composição consiste em cinco blocos de mármore. Cada bloco tem cerca de três metros de altura, assemelhando-se a paralelepípedos irregulares. Um espelho é embutido em cada bloco. A terra, o céu e o sol são refletidos nos espelhos dependendo do ângulo de visão. O artista faz uma analogia com os indígenas norte-americanos que usavam espelhos para transmitir sinais a longas distâncias. As coordenadas exatas da composição são desconhecidas. Em 2010, uma expedição visitou este local. Segundo seus participantes, a composição ainda existia, mas um dos blocos tinha caído. Os integrantes da expedição encontraram o local comparando fotografias com um mapa de satélite da região. A composição está localizada na divisa com Uruguai e Argentina, em uma fazenda a 22 km de distância da cidade de Barra do Quaraí (RS).

Nuno Ramos, Minuano, fronteira com Uruguai e Argentina, Brasil. Photo: MINUANO. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023.
Acesso em: 12 de maio de 2023. Verbete da Enciclopédia.

ISBN: 978-85-7979-060-7


A próxima obra, intitulada Calado, está localizada no parque do Museu do Açude no Rio de Janeiro. A palavra calado tem vários significados. Como substantivo, significa a profundidade de imersão do navio na água. Como adjetivo, significa silencioso ou secreto. A obra foi feita em 2003 com asfalto, óleo queimado e vidro temperado, elevando-se no meio de uma vereda. A obra ressalta o contraste entre a natureza e um objeto artificial. O trabalho do artista ressalta a desordem, pois o objeto está supostamente fora do lugar, impedindo o caminhar suave. Este é um trabalho sobre a sensação de estranheza experimentada pelo ser humano moderno.
Nuno Ramos, Calado, Rio de Janeiro, Brasil. Photo: CC BY-NC 2.0 by thefuturistics, 2008

Outro objeto de Nuno é o Matacão ou chuva de meteoros. Foi criado em 1996, mas não estava aberto ao público. A obra estava localizada na entrada do município de Orlândia, São Paulo, vindo de Ribeirão Preto, próximo ao anel viário.

A composição consiste em 12 grandes pedras de granito, cada uma pesando até 25 toneladas. Um fosso de até 2,5 m é cavado no solo sob cada pedra, copiando o formato dela. Algumas pedras estão quase completamente escondidas no fosso, outras só parcialmente. A superfície interna do fosso é cimentada. Parece que as pedras estão em caixas enormes.

No território onde a instalação foi construída, estava sendo planejado um parque, mas algo deu errado. O parque não apareceu, mas a chuva de meteoros já estava construída e interagindo com a natureza: o solo se cobriu de mato, o lixo se acumulou ao redor e a água ficava parada nas fossas cimentadas, que se transformaram em um local muito atraente para mosquitos. Houve uma interação real, embora não planejada, do objeto com a natureza, como sempre acontece no land art.

Nuno Ramos, Matacão, Orlândia (São Paulo), Brasil.
Acesso em: 12 de maio de 2023. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
 

Nelson Felix (1954, Rio de Janeiro, Brasil)


Mais um objeto criado na véspera do aniversário dos 500 anos do Brasil é a Mesa de Nelson Felix. A obra foi criada em 1999 e lembra muito uma mesa, pois é um tampo de aço com 51 metros de comprimento. O tampo é sustentado por suportes de eucalipto. Onze mudas de figo foram plantadas em ambos os lados da mesa. Depois de um certo tempo, os troncos dos figos aumentarão de diâmetro e ficarão apoiados no tampo. Eles vão começar a pressioná-lo e a deformá-lo. O tampo da mesa se fundirá com os troncos. A essa altura, os suportes de eucalipto já terão apodrecido, mas o tampo não vai cair no chão. Ele será segurado pelos troncos e começará a subir à medida que as árvores crescerem.

O objeto está localizado próximo ao município de Uruguaiana no território da Universidade Federal do Pampa (RS). É visível no Google Maps. Coordenadas: -29.83418215629996, -57.104247866596225


O próximo trabalho também foi projetado para se desenvolver com o tempo. Vazio Coração foi criado em 1999. A obra tem forma de uma grande bola de mármore com pinos de ferro cravados no interior ao longo da sua circunferência. O artista instalou a bola na Praia Redonda, Ceará. A bola flutuou na água, foi lambida pelas ondas e, com o tempo, supunha-se que os pinos de ferro deveriam oxidar e aumentar de tamanho. Como resultado, a bola de mármore se dividiu em duas partes.

Nelson Félix, Vazio Coração, Praia Redonda (CE), Brasil


Angelo Venosa (1973 — 2022, São Paulo, Brasil)


O terceiro objeto, realizado em 1999 e dedicado aos 500 anos do Brasil, foi a composição escultórica O Aleph do artista plástico Angelo Venosa. Era um labirinto redondo que ocupava uma área de 1200 metros quadrados. As paredes do labirinto foram construídas com pedras de granito cerâmico de 45 a 65 cm de altura. Os contornos do objeto se assemelhavam a uma impressão digital, se olhar de cima. O Aleph estava localizado no Parque Batuva, em Santana do Livramento (RS), na fronteira do Brasil com o Uruguai. No início dos anos 2000, o objeto foi destruído. Segundo os funcionários do parque, a obra foi “furtada” por moradores da região, pois não havia cerca no local e nem vigilância noturna.

Por um lado, é triste que O Aleph não possa mais ser visto. Por outro, o processo de interação de um objeto público com a natureza ou uma pessoa é um processo natural da vida dos objetos de arte contemporânea. A arte não é mais sobre os objetos em si, mas sobre os processos de interação com eles.


Angelo Venosa, O Aleph, Santana do Livramento (RS), Brasil. Photo: O Aleph. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023. Acesso em 14 de maio de 2023. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

 

A próxima obra de Angelo Venosa, assim como a obra de Nuno Ramos, situa-se no parque do Museu do Açude no Rio. Intitulada Ghabaah, surgiu em 2016. A obra é feita de placas de madeira presas umas às outras, dando a impressão de que o objeto está coberto por pequenos degraus ou escamas. As placas são fixadas por meio de uma técnica utilizada na construção de barcos. O Ghabaah é pintado de preto e parece muito futurista.

Angelo Venosa, Ghabaah, Rio de Janeiro, Brasil


Artur Barrio (1945, Portugal)


O artista nasceu em Portugal, mas de 1955 a 1974 viveu e estudou no Brasil. Depois morou em Paris e Amsterdã. Atualmente, sua vida se divide entre o Rio de Janeiro, Amsterdã e Aix-en-Provence (cidade do sul da França).

Artur Barrio também criou um objeto de land art para o aniversário de 500 anos do Brasil. O artista geralmente trabalha com materiais não muito duráveis, mas há exceções. Em 2000, Artur criou uma série de objetos chamados coletivamente de Três Livros e Meio na fronteira com o Uruguai. Esta composição consistia em cinco grandes lajes de pedra que o artista encontrou naquela área. Longos sulcos foram esculpidos ao longo das lajes, conferindo-lhes uma semelhança com uma pilha de livros. O artista colocou as lajes no the seguintes lugares:

Num terreno baldio próximo à Prefeitura do Chuí (RS). Aliás, nesta cidade, a fronteira entre o Brasil e o Uruguai passa bem no meio de uma das ruas da cidade.
Às margens do Rio Chuí, no município de Barra do Chuí (RS).
No município de Santa Vitória do Palmar (RS).
Na floresta, em algum lugar entre as cidades mencionadas acima.

O último quinto "livro" foi lançado ao mar, por isso existe apenas nas notas do artista sobre o projeto. "Três livros e meio" convida a explorar e conhecer a paisagem local.


Siron Franco (1947, Goiás, Brasil)



O artista estava familiarizado com a arte dos povos indígenas do Brasil, mas viu a maior exposição do povo Carajá na década de 1970 no Museu Antropológico da Humanidade, em Paris. A partir de então, começou a estudar com mais profundidade diversos objetos dos povos indígenas e a pensar em ideias artísticas em que eles pudessem ser utilizados. O resultado foi o Monumento às Nações Indígenas, que o artista fez em 1992. Naquele ano, o monumento consistia em 492 colunas de concreto, às quais foram acrescentadas mais oito em 2000. A altura das colunas era de pouco mais de dois metros. A área em que elas foram distribuídas tinha o contorno de um mapa do Brasil. As colunas não apenas delineavam o contorno do País ao longo do perímetro, mas também preenchiam a área interna. As colunas não eram monolíticas, elas consistiam em faces de concreto separadas. Metade das colunas tinha quatro faces, e a outra metade tinha três.

Nas bordas, Siron colocou os artefatos. Três mil cópias de itens dos povos indígenas: utensílios domésticos, itens para cerimônias, máscaras, imagens de deuses, animais, etc. Havia também 3.500 inscrições nas bordas, e outras 500 inscrições foram aplicadas no topo das extremidades das colunas.

Siron Franco, uma das imagens do Monumento aos Povos Indígenas. Goiás, Brasil.

O resultado foi um labirinto especial no qual se podia passear e aprender sobre a cultura dos povos indígenas do Brasil. As colunas eram cercadas do lado de fora por um círculo de caminho asfaltado. A roda tinha 60 m de diâmetro e se elevava acima do solo sobre pequenos pilares. Um elevador foi feito em um dos lados. Dessa forma, era possível caminhar pelo caminho de asfalto e observar as colunas ligeiramente elevadas acima do solo.

O número de colunas é simbólico — é o número de anos que se passaram na história do Brasil desde que o país foi descoberto pelos navegadores portugueses, mas esse evento levou à opressão e à destruição da população local, pois a colonização começou logo após a descoberta.

Em 2000, o 500º aniversário do descobrimento do Brasil foi comemorado festivamente. O Monumento aos Povos Indígenas chama a atenção para o desaparecimento das tribos indígenas que habitavam o País desde os tempos antigos.

Atualmente, o monumento está destruído. Quase todos os pilares foram derrubados com uma marreta, e cópias dos artefatos foram roubadas. No início desse processo, Siron comprou 20.000 metros de arame farpado e envolveu as colunas do lado de fora várias vezes. Mas isso não ajudou muito.

Agora só resta o caminho circular de asfalto. O campo em seu interior está coberto de ervas daninhas, e resta apenas uma coluna do mapa do Brasil.

Localização dos restos do Monumento às Nações Indígenas: Aparecida de Goiânia (Goiás state), no cruzamento das ruas Barão do Flamengo e Campo Belo.

Siron Franco, restos do Monumento às Nações Indígenas no Google Street View. Aparecida de Goiânia (Goiás), Brasil

Ela se ergue como um símbolo ininterrupto. Agora ela carrega sozinha todos os códigos que o artista incorporou em seu trabalho, retratando um mapa dos povos indígenas do Brasil. Semelhante ao herói de um poema do poeta polonês Zbigniew Herbert:

"...e se a Cidade cair, mas um único homem escapar,
ele carregará a Cidade dentro de si nas estradas do exílio,
Ele será a Cidade..."

Siron Franco, Movimento às Nações Indígenas: do surgimento à destruição

Outra obra de Siron Franco, que foi completamente destruída, estava localizada na cidade de Salvador (Bahia), perto do Dique do Tororó. Era um enorme painel com figuras planas em forma de imagens rupestres dos povos indígenas do Brasil. O painel, com uma área de 1.350 metros quadrados, consistia em 454 figuras e estava localizado à beira da estrada em uma encosta cimentada. As figuras eram cópias de pinturas encontradas em cavernas brasileiras. O artista selecionou 54 imagens únicas e fez cópias estilizadas com base nelas. Entre as imagens, havia figuras de humanos, pássaros, animais e répteis. As figuras foram moldadas a partir de alumínio reciclado e fixadas em bases quadradas espaçadas uniformemente em toda a área do painel. Devido às bases, as figuras se elevavam um pouco acima do painel. A luz do sol refletia em sua superfície brilhante. A obra apresentou aos observadores as formas das pinturas rupestres que foram feitas há mais de 10.000 anos. O objeto foi criado em 2002, quando a cidade de Salvador completou 454 anos.

O artista realizou a obra como parte de um projeto de reciclagem de resíduos para a empresa de limpeza urbana local. Foram necessárias 10 toneladas de alumínio reciclado para sua produção. Talvez esse metal tenha atraído os habitantes da cidade, que gradualmente cortaram todas as figuras. Agora, tudo o que resta da obra é um painel de concreto com bases quadradas às quais as figuras foram fixadas.

Siron Franco, restos de painéis no Google Street View. Arredores do Dique do Tororó, Salvador (Bahia), Brasil

 


Land Art em Belarus


Bazinato (1982, Belarus)


Basil Stakhiyevich aka Bazinato atua em diferentes movimentos artísticos, um dos quais é a Land Art. Algumas obras Bazinato cria apenas para fotos, enquanto deixa outras no ambiente natural e observa como a natureza as modifica. Às vezes, os objetos são transformados não pelos processos naturais, mas pelas mãos humanas. Basil fala das obras que ele fez na floresta em tocos: "Fiz cinco objetos, e todos foram encontrados! Alguns foram cortados com machado, outros sofreram uma tentativa de queima, não sei para quê". "Portanto, a Land Art definitivamente não é sobre a eternidade, é sobre a vitalidade, sobre transformações", conclui o artista. Suas palavras ressoam com os pensamentos de Robert Smithson sobre os objetos de Land Art que começaram a se degradar gradualmente após a criação.

Em 2018, no festival SPRAVA, durante o qual os artistas interagem com a paisagem histórica e natural de Belarus, Basil criou o projeto Árvore. Dessa fusão, nascem objetos de arte contemporânea, incluindo a Land Art. O projeto Árvore é uma criação conjunta do artista e de um grande olmo, do artista e da natureza.

Basil fala sobre seu trabalho:
"Nas profundezas da floresta, encontrei um velho olmo coberto de mofo e musgo embaixo. Cogumelos e musgo estavam tirando energia e saúde do olmo. Resolvi fazer uma massagem terapêutica com a argila local e utilizar suas propriedades antibacterianas e antifúngicas. Por dois dias, esfreguei cuidadosamente e cobri todos os pontos doloridos da árvore com a argila, vivendo uma experiência totalmente nova".

Bazinato, Árvore, Belarus, 2018. Photo: © Bazinato. Usado com permissão do autor

Basil numera alguns objetos em série e os une sob um nome. Por exemplo, Mimetismo. O termo mimetismo refere-se a uma adaptação ou resposta protetora de organismos vivos que resulta em sua semelhança com outros organismos ou objetos no ambiente.

Basil assim descreve Mimetismo 04:
"Todos nós estamos passando por um momento muito rápido e dramático de mimetismo social. Trata-se de um conjunto complexo de medidas e métodos de proteção de natureza sociopolítica, que permitem a sobrevivência e a autopreservação daqueles grupos sociais, forças e estratos sociais para os quais surgiram condições de vida insuportáveis na sociedade".

Bazinato, Mimicria 04, Belarus, 2022. Photo: © Bazinato. Usado com permissão do autor

Bazinato, Mimicria 06, República da Geórgia, 2022.
Photo: © Bazinato. Usado com permissão do autor

No festival SPRAVA edição 2022, Basil voltou a trabalhar em conjunto com a natureza e o resultado foi o objeto Biomassa Decorada 3. A obra tem número de série porque também faz parte de uma série especial.

O artista comenta sobre este objeto:
"Ao criar bilhões de novos processos e coisas, conhecemos a natureza do mundo ao nosso redor. Nessa cognição, muitas vezes criamos processos e coisas completamente desnecessárias, destruindo o mundo à nossa volta. Mas, apesar de desnecessários e destrutivos, eles sempre encontram seu lugar e se integram à interface bioquímica de nosso planeta".


Bazinato, Biomassa Decorada 3, Belarus, 2022. Photo: © Bazinato. Usado com permissão do autor

Bazinato, Flor de Gelo, Belarus, 2022. Photo: © Bazinato. Usado com permissão do autor


Oficina criativa ECHO


A equipe da ECHO é composta por Vasyl Tsimashou e Palina Pirahova. Os artistas fazem objetos de vime e os colocam em espaços urbanos ou naturais.

Em 2016, Pushchavik — o espírito da floresta — apareceu na Reserva Natural Berezinsky em Belarus.

ECHO, Pushchavik, Belarus, 2016. Photo: © ECHO. Usado com permissão do autor

Em 2017, os artistas criaram o objeto Radar. Ele foi exposto tanto no espaço urbano quanto no ambiente natural. É possível usar o Radar assim como faz o homem da foto: subir até o topo, observar o universo e absorver a energia do sol.

ECHO, Radar, Belarus, 2016. Photo: © ECHO. Usado com permissão do autor


Também em 2017, os artistas criaram o objeto A Energia da Natureza para o festival de arte urbana Vulica Brasil. O objeto é feito de vime e está localizado na rua Kastrychnitskaya em Minsk. Tem a forma de canos que saem do chão e supostamente penetram no prédio de tijolos vermelhos. A propósito, esta deve ser a melhor propaganda do poder do vime como material para objetos de rua, porque a A Energia da Natureza sobreviveu até os dias de hoje.

ECHO, A Energia da Natureza, Belarus, 2017. Foto: © Jaŭhien Cinkievič. Usado com permissão do autor

Em 2021, o Café dos Pássaros apareceu na cidade de Hrodna, no parque florestal Pyshki. O objeto consiste em três comedouros, cada um em forma de fones de ouvido sem fio modernos.

ECHO, Café dos Pássaros, Belarus, 2022. Photo: © ECHO. Usado com permissão do autor


Land Art e a nova compreensão da arte


A Land Art, assim como outras tendências artísticas que ultrapassaram os limites das galerias de arte em meados do século XX, trouxe e consolidou a ideia de que os objetos de arte podem ser expostos não apenas dentro de uma instituição artística. Eles podem estar em qualquer lugar. Portanto, entender esse movimento é entender que tanto os espaços institucionais quanto os autores estão ausentes na Land Art, porque os objetos se fundem com o ambiente natural e não há nenhuma placa que os descreva. A Land Art não leva em conta o ponto de onde as pessoas olham para o objeto. Para ver muitos objetos em sua totalidade, é preciso olhá-los de vista aérea. Assim, a Land Art é difícil ou até mesmo impossível de ser monetizada, em contraste com a arte exposta em galerias e museus.

Nota Bene

Nossos ancestrais também faziam algo semelhante à Land Art há milhares de anos. Por exemplo, os geoglifos no Peru. Os pesquisadores acreditam que eles foram criados pelas civilizações de Nazca, que viveram nesta área até o século II d.C. Os geoglifos foram notados pela primeira vez em 1939. As imagens são "desenhadas" por trincheiras com profundidade de até 50 cm e largura de até 135 cm.


Stonehenge é uma estrutura de pedra cujos restos permanecem até hoje. A data de sua fundação é o século 30 a.C.


Estes objetos são semelhantes à Land Art? Definitivamente. Andrew Rogers cria obras semelhantes. Tais objetos podem ser exemplos de Land Art? Não, porque foram criados com um propósito diferente: não artístico, mas prático. Foram criados não para levantar uma discussão na sociedade, mas para realizar algum ritual.

Portanto, podemos chamar de Land Art apenas aqueles objetos que os artistas conscientemente fizeram como arte.


References

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